Como o Rolfing pode mudar o nosso corpo

Por Adriana Titton

Nas palavras da Dra. Ida P. Rolf (“Rolfing: a integração das estruturas humanas”):

“Como em toda matéria organizada em unidades biológicas, há um padrão, uma ordem, no corpo humano. Os seres humanos podem mudar em direção à organização ou se distanciar dela. 

Os corpos humanos mudam: o seu corpo pode mudar, qualquer corpo pode mudar. 

Não estamos nos referindo à deterioração ou à idade no sentido normalmente aceito. 

Queremos dizer que os corpos – os corpos físicos de carne e osso – são surpreendentemente um meio plástico, que pode mudar rapidamente para uma estrutura que seja mais ordenada e portanto mais econômica em termos de energia.”

Para provocar essa mudança, o trabalho é focado no equilíbrio das relações miofasciais. 

Mas, o que significa isso?

Para entender como se dá a organização do nosso corpo, gosto da imagem da barraca. Para que uma barraca esteja bem montada, é preciso de 2 tipos diferentes de elementos de sustentação: as varetas e o tecido tensionado ao redor delas. 

Assim também é o nosso corpo, que se estrutura a partir dos ossos e dos tecidos tensionados que o revestem – o sistema miofascial: músculos, fáscia (tecido que reveste os músculos em múltiplos níveis e camadas), tendões (que são continuidade da fáscia, unindo os músculos aos ossos), e ligamentos (que fazem a conexão osso a osso nas articulações). 

O termo ‘sistema miofascial’ costuma ser utilizado para dar a noção de que esses não são elementos isolados – eles formam um todo que reveste nosso corpo por inteiro, em múltiplas camadas que se inter-relacionam, como uma “roupa” que reveste e interliga nossos ossos, dando direção aos nossos movimentos.

Quanto mais essa nossa “roupa” miofascial está organizada e equilibrada em termos de tensão e direção, melhor o posicionamento dos nossos ossos entre si. 

Assim, quando nos movimentamos sob a força da gravidade, nossos movimentos acontecem respeitando a direção para as quais nossas articulações foram feitas (articulações dos pés, tornozelos, joelhos, quadris, coluna, ombros, etc.). 

O resultado disso são movimentos mais fluidos, livres, equilibrados, econômicos e graciosos.

Por outro lado, quando há desequilíbrios de tensão e direção nessa nossa “roupa” miofascial (partes excessivamente tensionadas por alongamento ou contração, e outras mais frouxas), começam a surgir desvios nas direções das nossas articulações e compensações em todo o nosso corpo. 

Quando isso ocorre, nossos movimentos se tornam mais pesados, presos, descoordenados, gerando mais desgastes em todo o organismo e, com o tempo, risco de lesões.

No processo de Rolfing®, o objetivo é alcançar níveis cada vez maiores de organização e integração, respeitando as particularidades do organismo de cada pessoa. 

Terapeuta e cliente vão descobrindo juntos os padrões de estrutura e movimento do corpo do cliente na relação com a gravidade, reorganizando os tecidos (a “roupa miofascial”) para um maior nível de alinhamento, organização e mobilidade do corpo, e explorando novas possibilidades de movimento que tragam maior bem-estar. 

Para tanto, o terapeuta mescla no seu trabalho o uso do toque (manipulação do tecido, da “roupa” miofascial para liberação de fixações e maior homogeneidade dos tecidos e equilíbrio das tensões)…

…a exploração de movimentos cotidianos do cliente (da forma como a pessoa costuma fazê-los e também experimentando novas formas mais econômicas e eficientes)…

…e o exercício de tomada de consciência por parte do cliente das sensações e significados atrelados aos seus padrões de postura e movimento – novos e antigos.

A maneira como cada um vive o processo do Rolfing® é muito particular, e depende não apenas de fatores físicos, mas também emocionais. 

Como resultado, é possível que o cliente perceba em si, com mais frequência em seu cotidiano, qualidades como: leveza, harmonia, equilíbrio, graciosidade, verdade, autenticidade, vitalidade, movimento, fluidez, essência e inteireza.

 

Texto retirado de Redação ABR – Associação Brasileira de Rolfing

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